RELAÇÃO
PROFESSOR-ALUNO: FUNDAMENTO PARA UM
APRENDIZADO CRISTÃO COERENTE COM A
ORTO-PRÁXIS
Cristiane Tenório Pereira *
RESUMO
O presente trabalho relata a relevância do
relacionamento professor – aluno,
considerando o fato de que a aprendizagem
será sempre uma mudança no pensar, sentir
e agir. Decorre da aceitação e valorização
do aluno pelo professor e vice-versa, o
êxito no processo ensino-aprendizagem.
Fatores psicológicos e relacionais no
ensino bíblico, desencadeiam nas
transformações necessárias à coerência
entre o comportamento cristão e a
orto-práxis.
PALAVRAS CHAVE:
Relação professor-aluno, fundamento,
aprendizado, orto-práxis.
ABSTRACT
The present work tells to the relevance of
the realtionship professor-pupil,
considering the fact of that the learning
will be always a change in thinking,
feeling and to act. It elapses of the
pupil for the acceptance and valuation of
the pupil for the professor and vice
versa, the success in the process
teach-learning. Psychological and
relationary factors in Biblical education,
unchain in the necessary transformations
to the coherence between the Christian
behavior and the orthodoxy-práxis.
KEYWORDS:
Relation professor-pupil, bedding,
learning, orthodoxy-práxis.
INTRODUÇÃO
O presente trabalho propõe-se apresentar a
importância prática e didática de um
relacionamento saudável entre
professor-aluno, enfatizando o mesmo como
facilitador da aprendizagem. Discorre
também sobre posturas não recomendáveis na
prática docente, que dificultam e até
mesmo tornam infrutíferas os objetivos
propostos.
_____
Relata-se as características de um ensino
bíblico de qualidade, que visa a
transformação integral do ser humano, ou
seja, mudanças de pensamentos,
comportamentos e sentimentos, adequados
aos princípios bíblicos universais.
Enfatiza-se com veemência a importância da
pessoa do professor cristão no processo de
transformação do homem natural em
espiritual, até alcançar a imagem de
Cristo formado em seu caráter e expresso
na comunidade na qual está inserido.
A práxis educativa revela a necessidade de
se adquirir uma visão holística do ser
humano enquanto aprendiz, independente do
conteúdo a ser ministrado. Ao nos
referimos a uma visão holística de ser
humano, estamos nos referindo a um todo
integrado e interativo, conceito defendido
por Friesen em sua obra Cuidando do Ser –
p.23.
Em se tratando de conteúdos bíblicos, tal
necessidade é ampliada considerando o fato
do professor ser necessariamente
considerado um “referencial de vida”. Seu
ensino deve condizer com suas práticas
cotidianas manifestas na sociedade.
Na prática pedagógica não existe
aprendizado sem comunicação. Cabe ao
professor saber relacionar-se
psicologicamente com a turma.
Compreendendo a necessidade de se ter uma
visão coerente de todas as dimensões que
compõem este ser, em especial de seu aluno
de E.B.D.
Assumir tal postura na educação bíblica e
teológica nos proporciona compreender tais
dimensões que afetam naturalmente a vida
do educando, sua interdependência e
interferência natural na expressão social.
Possibilita-nos ainda um relacionamento
cristão amoroso e eficaz, voltado não para
uma educação bancária, mas construtivista,
ainda que aquela seja atualmente,
largamente aplicada nos púlpitos de nossas
igrejas, ou em classes de escola bíblica.
Tuler (2006:106) orienta-nos a conhecer o
potencial da turma a qual estamos
ensinando, segundo ele
“conhecer a realidade do aluno é
indispensável a qualquer professor que
tenha por principal meta a eficácia e a
produtividade do seu ensino. Saber o nome
completo e onde o aluno mora é apenas o
início de uma sondagem que deverá
aprofundar-se à medida que o professor
conquista a confiança e o privilégio de
ser para o educando muito mais que um mero
instrutor – um educador”.
A realidade do aluno abarca os principais
aspectos e setores de sua vida, e estas
influem em graus diferenciados, na atitude
de aprendizagem dos alunos em relação ao
conteúdo ministrado.
O professor cristão deve procurar não
apenas conhecer seu aluno, mas também
conhecer-se a si mesmo, suas
potencialidades e limites, pontos fracos e
fortes. Desta forma, analisará com graça
os limites dos alunos, bem como suas
necessidades mais gritantes, até mesmo na
revisão de conteúdos que foram ministrados
à bem pouco tempo.
O relacionamento cristão saudável, passa
necessariamente pela prática do perdão.
Sendo este, uma decisão da vontade, as
emoções do professor devem ser controladas
de maneira que suas reações a determinadas
circunstâncias constrangedoras criadas
pelos alunos, sejam adaptadas às decisões
racionais e bíblicas.
Entendemos que o saber falar e saber
calar, são indispensáveis no
relacionamento cristão, visto que no meio
eclesial e na sociedade em geral existem
muitas pessoas difíceis de relacionamento.
Todavia, estas se tornam um desafio à
espiritualidade do professor que deve
buscar em Deus os recursos necessários
para demonstrar amabilidade com todos os
alunos.Real (2003:76) retrata bem estas
pessoas difíceis, chamando-as de especiais
A pessoa especial é aquela que não mais
acredita em mudança, que age e reage de
modo condicionado e previsível. É uma
pessoa intolerante e radical, que não
percebe a necessidade de transformar-se,
que possui um temperamento forte. Muitas
vezes legalista. Há muitas pessoas
especiais em nossa esfera de contatos.
Deus deseja abençoá-las por nosso
intermédio e conduzi-las ao processo de
aprimoramento pelo qual crescerão rumo à
semelhança com Cristo.
Necessitamos como docentes cristãos evitar
a grosseria dissimulada em palavras
suaves, bem como a tendência à ira
presente nas palavras sinceras e
verdadeiras. O amor é o elemento
pacificador das relações e deve ser
expresso em nossas colocações verbais
frente às pessoas especiais.
O discurso do docente cristão deve
refletir necessariamente seu estilo de
vida pessoal, pois não há autoridade no
ensino bíblico se a prática cotidiana não
refletir coerência com as expressões
verbais de ensino e admoestações bíblicas
com a pratica cotidiana em sociedade, ou
seja, coerência entre ensino e orto-práxis.
Neste contexto o relacionamento
professor-aluno, torna-se necessariamente
um referencial de EXEMPLO das verdades
fundamentais do Cristianismo. Assim como
um pai deve ao seu filho exemplo, exemplo
e exemplo!!
Considerando os motivos conscientes da
aprendizagem, estes nem sempre
correspondem aos motivos mais profundos de
nossa alma. O aluno interessado vive na
busca constante do novo, e é motivado a
aprender quando percebe que o professor
sempre procura melhorar o seu desempenho
em sala de aula. A vontade de aprender
deve ser despertada no aluno, ou no mínimo
deve-se estimular o crescimento espiritual
via fundamentação bíblica.
Tuler (2002:180) defende que “se não
houver uma boa comunicação em sala de
aula, não haverá também um aprendizado
saudável, e isto é preocupante,
principalmente quando nos referimos ao
ensino bíblico”.
O bom aprendizado não é aquele que se
baseia apenas em retenção de
conhecimentos, mas na habilidade de
aplicá-los à vida cotidiana. Desta forma,
o respeito mútuo, a cooperação e todas as
virtudes relacionadas à moral cristã,
devem ser vivenciados, na medida do
possível em sala de aula e/ou no contexto
eclesial.
Abordando a visão holística que o
professor deve ter em relação aos alunos,
Morris citado por LeFever (1995:9)
apresenta a diversidade existente no
processo de ensino-aprendizagem: “Algumas
pessoas aprendem ouvindo e partilhando
idéias, outras aprendem analisando o que
ouviram. Há aquelas que aprendem testando
teorias e, ainda outras que aprendem
sintetizando conteúdo e contexto”.
Considerando tal diversidade na
aprendizagem, o professor deve estar
ciente de que o aluno espera que o mesmo
seja capaz de ensinar o conhecimento de
Deus de forma plausível, clara, coerente e
concisa, que venha corresponder às
necessidades espirituais, morais e
intelectuais do ser humano.
Na observação das características pessoais
de cada educando, deve-se considerar os
níveis de aprendizagens intrínsecos a cada
indivíduo e dar uma assistência especial
àqueles que caminham mais devagar no
processo de aprendizagem que é contínuo e
sistemático.
O apóstolo Paulo entendeu bem isso quando
reescreve os mesmos conceitos e verdades
para os irmãos de Filipos, ele enfatiza “a
mim não me desgosta e é segurança para vós
outros que eu escreva as mesmas coisas” (Fp.3:1b).
O contexto bíblico deixa claro a ênfase
que o apóstolo dá a alegria cristã,
repetindo-a várias vezes em sua carta aos
Filipenses. Por semelhante modo, o
professor bíblico necessitará utilizar-se
dos recursos dialéticos do ir e vir em
dados assuntos pertinentes e necessários à
vida cristã normal. Escrevendo sobre o
processo natural de aprendizagem eficaz,
LeFever argumenta
1) Aprendizes começam com o que já
conhecem, interessam-se, ou necessitam. O
que aconteceu antes deve fornecer
subsídios para o que virá agora. O
verdadeiro aprendizado não pode acontecer
no vazio;
2) Esta conexão com a vida real os prepara
para o próximo passo – aprender algo novo;
3) No terceiro passo, os aprendizes
aplicam o novo conteúdo experimentando
como ele funciona na vida real;
4) O último passo requer que os aprendizes
utilizem criativamente fora da sala de
aula o que aprenderam. Este passo final
orienta os alunos em sua vida diária, fora
do espaço da igreja.
Como fora acima citado, o professor deve
procurar corresponder às expectativas dos
alunos, mostrando-lhes o caminho para o
aprendizado eficiente e dinâmico, com
sentido para a vida. O relacionamento
professor-aluno e dos alunos entre si no
grupo social, são fenômenos de interação
psicológica e comunicação social, e como
tal possibilitam ao aluno segurança
pessoal, ajuda para combater o
isolacionismo (solidão) e possibilidades
reais para o crescimento espiritual
compatível com a orto-práxis (conduta
coerente com o evangelho de Cristo).
O contexto histórico brasileiro
apresenta-nos um modelo de educação que
infelizmente não condiz mais com a
ansiedade da atual sociedade emergente,
procura-se a razão das coisas, o sentido
maior de um projeto de vida. Tuler
(2002:79) afirma que “o ensino é um
processo de comunicação em que o
professor, através de vários procedimentos
e informações, orienta e dinamiza a
aprendizagem”.
Todavia, a prática pedagógica de nossas
escolas bíblicas, ainda repousam
eternamente no solo esplêndido da mesmice
pedagógica. A ênfase aqui, não é no
conteúdo de ensino (Bíblia), mas nas
formas de transmiti-lo. Muitos professores
consideram-se os únicos donos do saber. Em
decorrência, a prática pedagógica,
torna-se obsoleta e enfadonha.
Além disso, um bom número de docentes, já
não possuem o entusiasmo decorrente do
primeiro amor, onde os mesmos evidenciavam
uma dedicação constante no estudo da
Palavra e ensinavam com vigor e paixão.
Estas, dentre outras causas, têm promovido
em muitas escolas bíblicas a evasão tão
constante de nossos alunos, não mais
motivados a estudar a Palavra. Analisemos
a postura do professor frente à turma:
O Professor como Guardião do Saber.
A postura evidencia a crença. Por muito
tempo se pregou que cabia ao professor
transmitir conhecimentos e os alunos como
“tabulas rasas que são”, apenas receberiam
a informação procurando guardá-la com
sobriedade.
A pós-modernidade trouxe consigo a
fragmentação do saber, o professor não é o
único a possuí-la o aluno também a possui,
e, além disso, tem meios de acessá-la,
exigindo explicações mais profundas que
ultrapassem os conceitos de bem e mal,
certo e errado.
A ênfase hoje está nos porquês, o sim ou o
não depende da situação. Henrichsen
analisa a situação ao afirmar que “na
sociedade de hoje as coisas mudaram. A
nossa geração relativista questiona os
absolutos e obscurece as decisões”
(1989:71). Neste contexto cabe ao
professor procurar modificar os
pensamentos relativistas através das
verdades dinâmicas e imutáveis da Palavra
de Deus.
Propomos uma aula interativa onde exista
troca de informações entre
professor-aluno, analisando-se as causas e
a postura do ser cristão na sociedade.
Quando o professor assume a postura de
único conhecedor da verdade, a resistência
ao conteúdo é evidente, desta forma não há
aprendizado, nem mudança de comportamento.
As barreiras psicológicas surgem numa
oposição interior, às vezes, não faladas,
mas evidenciadas no semblante do aluno e
no seu comportamento. Neste aspecto, Tuler
(2006:113) expõe seus argumentos
Há professores que se colocam num pedestal
julgando-se “donos do saber”. Tais
professores se esquecem que seus alunos,
independente da “escolarização”, possuem
experiências de vida dignas de serem
compartilhadas. O conhecimento que
possuem, embora às vezes assistemático,
constitui matéria indispensável para o
enriquecimento do conteúdo da aula.
As formas de comunicação devem ser
consideradas no processo de
ensino-aprendizagem, pois são elas quem
determinará os resultados do processo.
Comunicar-se, em essência é relacionar-se.
Se o aluno percebe a valorização do
professor em relação a sua pessoa,
sente-se aceito e amado, o relacionamento
entre ambos flui livremente, em admiração
pelo seu mestre.
Todavia, se o professor não aprendeu ainda
a arte de comunicar-se com seus alunos,
seu ensino deixa a desejar, pois suas
palavras não serão recebidas com prazer, e
sim com aversão. O aluno necessita
sentir-se livre para expor suas idéias,
sem medo de censura ou constrangimento
intelectual por parte do professor. Nas
palavras de Tuler (2006:113) cabe ao
professor ser “um comunicador dialogal e
não um mero transmissor unilateral! ”
O processo de comunicação ultrapassa a
linguagem da fala, evidencia-se no olhar,
no sorriso, no enrijecimento do semblante
e assim por diante. Hoje se enfatiza a
semiótica, termo que deve ser conhecido e
observado pelo docente cristão se quiser
fazer jus às perguntas da sociedade
contemporânea.
A esse respeito Tuler (2006:92)
expressa-se como “contato ocular”, ou
seja, o olhar nos olhos desenvolve no
aluno a consciência do interesse do
professor pela pessoa dele, o que
proporcionar um interesse maior do aluno
pelo estudo.
O Professor que Não é Referencial de Vida.
Quanto a este mister, Cristo deu-nos o
Sumo-exemplo. O ensino bíblico só tem
autoridade quando seu portador vive o que
ensina. Os evangelhos revelam Jesus como o
Mestre que, com seu EXEMPLO e autoridade,
veio transformar as pessoas de maneira
total e absoluta. Ele ensinava “como quem
tem autoridade, e não como os escribas”
(Mt.7:29).
Barro analisando o filme a Paixão de
Cristo,de Mel Gibson, lançado em 2004,
afirma que o filme propõe um sentimento de
decepção e por fim apresenta-nos um
indicativo de esperança ao expressar o
exemplo de vida expresso por Jesus Cristo
que “durante sua vida, [...] mesmo quando
isolado, perseguido, mal compreendido,
difamado, ainda assim é possível amar,
compadecer, perdoar, ser solidário”
(2004:70)
O apóstolo Paulo também menciona a
necessidade de ser imitador de Cristo, e
ele o era. Muitos professores não exercem
influência na vida de seus alunos por
estarem fora deste padrão bíblico, a
saber, quem quiser ensinar deve viver o
que ensina, pois receberá mais duro juízo,
ou seja, os mestres devem obedecer a
Palavra, ou serão julgados por não
fazê-lo. Os docentes cristãos são o guia e
modelo da aplicabilidade da Palavra, ou
pelo menos deveriam sê-lo.
O apóstolo Paulo, relata em Filipensses
1:15 o fato de alguns pregadores pregarem
a Cristo por inveja e porfia, o fato é que
tais homens são identificados exercendo a
função de mestres, porém com motivações
erradas e iníquas em si mesmas, estes não
devem ser imitados como cristãos, tão
pouco devem ser considerados como mestres
genuinamente cristãos.
O professor cristão recebe esta vocação do
próprio Cristo que há alguns constituiu
dentre o seu povo Mestres, e estes devem
se esmerar no ensino (Ef.4:11; Rm.12:7).
Nas palavras de Tuler (2006:58) esmero
significa “integralidade de tempo no
ministério de ensino, ou seja, estar com a
mente, o coração e a vida totalmente
voltados para este mister.”
O “esmerar-se” implica em dedicação
constante em busca do conhecimento quer
seja de natureza teórica (na leitura
bíblica e materiais afins) ou prática (na
aplicação da Palavra com discernimento no
contexto no qual está inserido).
Considerando que a aprendizagem cristã é
um processo contínuo e evolutivo que só
acabará no fim dos tempos, e tem por
objetivo preparar o aluno a enfrentar a
realidade da vida, solucionando seus
complexos problemas. O professor pode
utilizar-se da dialética do ir e vir, da
constante revisão sistemática, consciente
de que todo processo de
ensino-aprendizagem deve estar susceptível
à revisão de conceitos e práticas
pré-estabelecidas.
Referindo-se a pessoa ordenada, Engen
(1996:203) enfatiza que a mesma “não pode
atuar devidamente se não tiver sido
chamada, transformada por Deus e a ele
aproximada. Sua função principal, contudo,
será edificar o corpo de Cristo para que
venha a ser o povo missionário” Podemos
aplicar os mesmos princípios ao docente
cristão, que em essência é uma pessoa
chamada por Deus para a obra do ministério
e necessita ter intimidade com ele para
poder exercer relevância no ensino da
igreja eclesiástica.
Relação entre Relacionamento e
Aprendizagem
Não existe relacionamento sem comunicação
e esta deve ser eficaz, para não ser
deturpada na transmissão do conhecimento.
No processo de comunicação às vezes
ocorrem ruídos que prejudicam e/ou
deturpam o sentido originário da conteúdo
bíblico. O transmissor deve estar atento a
tais ruídos para reenfatizar a verdade e
os princípios bíblicos, se necessário for.
Analisando o termo comunicar, ampliamos
nossa visão de comunicação, o termo vem do
latim comunicare e significa “pôr em
comum”, tornar comum. Desta forma, a
comunicação visa à transmissão de
conceitos e informações que promovam o
entendimento entre indivíduos.
No caso em questão, o entendimento deve
ultrapassar o assentimento a alguma idéia,
personificando-se na vida do aluno, como
evidência de seu aprendizado real. Nas
palavras de Tiago “se alguém é ouvinte da
Palavra e não praticante, assemelha-se ao
homem que contempla, num espelho, o seu
rosto natural; pois a si mesmo se
contempla, e se retira, e para logo se
esquece de como era a sua aparência,” ( Tg.
1:23,24 )
A comunicação em si é um processo de
inter-relação entre os homens, não existe
comunicação sem três elementos
fundamentais, a saber: emissor, receptor e
mensagem. No caso do ensino bíblico o
professor conta com um facilitador de
aprendizagem, ou seja, o Espírito Santo.
Cabe-nos depender d’Ele para que haja
aperfeiçoamento no ensino cristão
produzindo os frutos desejados.
Detenhamo-nos agora na aprendizagem.
Quando podemos dizer que o aluno aprendeu
de fato? A evidência da aprendizagem
cristã está na modificação radical do
comportamento do crente, se não houver
mudança no comportamento, não houve
aprendizagem real.
O objetivo é capacitar o educando a
enfrentar a realidade com discernimento (Hb.4:12;
5:14) e entendimento. Utilizando-se da
mente de Cristo (I Co.2:16), o aluno
adquirirá novas formas de perceber a
realidade que o cerca e a lidar com ela.
Porque Muitos Alunos Não Aprendem a Viver
o Cristianismo?
Cabe-nos indagar quanto à aplicabilidade
do Ensino Bíblico na cultura brasileira.
Seria este incoerente com os nossos dias?
Ou estamos dificultando a compreensão, de
forma que não pode haver uma aplicação
coerente?
A responsabilidade seria do professor ou
do aluno? Nesta via de mão dupla, não pode
existir exclusivismo, todavia o professor
consciente necessitará diagnosticar a
realidade de seu alunado, conhecê-los em
seus anseios e no repertório de
informações que os mesmos já possuem.
Analisemos algumas causas:
Uma das causas da não aplicabilidade do
ensino bíblico é o autoritarismo do
professor, que normalmente quando
praticado promove a estagnação. Assim como
a postura do conselheiro cristão deve ser
de facilitador da compreensão da
realidade, a postura do professor cristão
também o é. Nas palavras de Engen (1996)
“uma contra-cultura forte promove a
rejeição”, tese defendida no seu livro
Povo Missionário, Povo de Deus, ao enfocar
a reação do povo de Deus ao sistema
vigente – p.176-183.
Não cabe ao professor impor mudanças de
comportamento, princípios ou valores,
estes, devem ser uma decisão pessoal do
educando, assim como o é do aconselhado.
As mudanças devem ser voluntárias e
espontâneas, após reflexão sobre
determinado conteúdo.
O professor tem o direito de interpretar
coerentemente a Palavra de Deus, mas
possui o direito de forçar as pessoas a
viverem seguindo seus preceitos. A própria
Palavra de Deus é um poderoso agente de
transformação e mudanças. Além disso, o
professor precisa descansar na ação do
Espírito Santo!
A postura do professor no ensino deve ser
diretiva, analítica e reflexiva.
Objetivando mudança de conduta, através da
ministração da Palavra. Para isso, o
confronto muitas vezes é necessário, mas
não a imposição de ações particulares (Col.1:28).
O ensino bíblico não deve ser somente
informativo, mas transformador levando o
educando a estatura e semelhança de Cristo
(Ef.4:11-16)
Além do autoritarismo como causa da não
aplicabilidade do ensino bíblico por parte
do educando, o semblante do professor
muitas vezes demonstra falta de aceitação
tornando-se barreira psicológica e
impedindo o aprendizado. Já dissemos que
os gestos por si só falam. Goleman citado
por Real (2003:19) orienta que o
aconselhando deve “manter serenidade no
rosto e nas palavras”.
Na prática pedagógica, ainda que o
professor esteja ciente dos desvios de
conduta de certos alunos, necessitará
demonstrar que os ama e aceita como
pessoas cristãs, independentemente de suas
falhas comportamentais e/ou de caráter.
Um comportamento de amor por parte do
professor revela-se pela voz, pelo
vocabulário, pelas frases e pela postura
cristocêntrica ao ministrar a aula e ao
relacionar-se com a turma em
circunstâncias normais da vida, fora do
contexto de sala de aula.
Aprendizado Evidenciado na Mudança de
Comportamento
O apóstolo Paulo deixa evidente em todas
as suas cartas, a influência
transformadora que o evangelho produz na
vida dos cristãos, a ponto destes serem
considerados pela 1ª vez na cidade de
Antioquia como cristãos, ou seja,
“pequenos cristos” (At.11:26).
A prática pedagógica cristã, impõe-nos o
dever de ser constante e sistemática,
voltada para as necessidades do ser humano
enquanto ser espiritual. Tuler (2006:76)
argumenta sobre a qualidade do ensino
bíblico, enfatizando que o mesmo deve ser
“potente e dinâmico”, ou seja, o ensino
deve “modificar o comportamento na maneira
de pensar, sentir e agir”.
É importante fazer um resumo esclarecedor
do conteúdo, para sintetizá-lo enfocando
seus objetivos e facilitar o aprendizado
do aluno. Bem como, sugestionar
procedimentos práticos de como aplicar as
verdades bíblicas no contexto social.
A espiritualidade não se traduz em
isolacionismo asceta, mas manifesta-se no
meio social eclesiástico ou na sociedade
em geral. Evidenciando os frutos na
transformação do comportamento do cristão,
oriundo do ensino bíblico puro e simples.
Poujol (2006:49) abordando o método não
diretivo de aconselhamento apresenta um
relato sobre como nós funcionamos
O pensamento, consciente ou inconsciente,
vem sempre primeiro.
Dos pensamentos decorrem nossos
sentimentos.
Dos sentimentos decorrem nossos
comportamentos.
As conseqüências de nossos comportamentos
são as reações daqueles que nos rodeiam.
Essas reações vão voltar sobre nós como um
bumerangue, reforçando nosso modo de
pensar, o que nos faz voltar ao ponto
número 1,
Considerando esta abordagem de
aconselhamento, o professor cristão
trabalhará partindo do pressuposto de que
os pensamentos, só serão transformados
pela análise e meditação bíblica, em
decorrência sentimentos e atitudes cristãs
são evidências de relacionamentos
fundamentados nos princípios bíblicos da
Palavra de Deus. De acordo com o professor
Luiz Alves de Mattos citado por Tuler
(2006:146,147) a aprendizagem é um
“Processo lento, gradual e complexo de
interiorização e de assimilação, no qual a
atividade do aluno é fator decisivo. A
aprendizagem não é de modo algum, um
processo passivo de mera receptividade. È,
pelo contrário, um processo eminentemente
operativo, em que a atenção, o empenho e o
esforço do aluno representam papel central
e decisivo. [...] Os dados do conhecimento
devem ser por ele identificados,
analisados, re-elaborados e incorporados
na sua contextura mental em estruturas
definidas e bem coordenadas.”
Neste contexto o papel do docente é
favorecer um ambiente adequado e uma
qualidade de ensino bíblico que viabilize
este processo, lento, porém dinâmico.
O Ensino Bíblico deve ser Firme e
Consistente
O evangelho propõe uma contra-cultura, e
esta como enfatizado acima, quando imposta
promove rejeição. O pecado trouxe consigo
a distorção da visão correta de Deus.
Muitos cristãos mesmo freqüentando a
igreja ainda possuem idéias distorcidas
sobre Deus, alguns ainda são dominados por
compulsões imorais, como por exemplo, o
uso da pornografia como vício cotidiano, e
outros ainda estão arraigados nos pecados
da carne, como inveja, contendas... O
ensino bíblico firme e consistente é o
único meio de mudar esta realidade
decadente.
O apóstolo Paulo experimentara em seu
ministério de ensino aos romanos que a
ministração da Palavra de Deus os
libertara da escravidão do pecado
(Rm.6:17); em algumas circunstâncias
necessitou ser forte em suas posições
teológicas contrariando os judaizantes que
infiltravam falsas doutrinas em relação ao
evangelho de Cristo na igreja da Galácia (Gl.4:8-9);
em outros a conduta moral dos cristãos
tornara-se reprovável, como no caso de
Pedro (Gl.2:11) e dos irmãos de Corinto (I
Co.3:1,3 e o cap.5).
Na realidade todo o ministério docente de
Paulo esteve permeado por controvérsias e
necessidade de confrontos pessoais e
eclesiais. A postura do mestre cristão
deve ser espelhada pelos mestres bíblicos
que tiveram coragem de denunciar e
confrontar os erros provenientes da falta
do conhecimento de Deus em sua época.
O Ensino Bíblico deve Falar ao Coração
Real (2003:115) adverte-nos quanto à
“possibilidade do perdão bíblico”, sem o
qual não haverá vida saudável em
comunidade nem relacionamentos marcados
pelo amor fraternal. Nos relacionamentos
humanos sempre haverá desentendimentos,
razão pela qual a Bíblia nos insta a amar
como Deus nos amou. Real (2003:16)
argumenta que
Apesar da singularidade e do caráter
extraordinário do amor cristão, o
mandamento bíblico impõe-nos o dever de
praticá-lo. È bom ressaltar, no entanto,
que só logrará êxito aquele que vive uma
vida controlada pelo Espírito de Deus. É
ele que nos capacita. Por seu divino
poder, o Senhor nos oferece as condições
necessárias à vida e à piedade. São suas
grandes e preciosas promessas que nos
tornam co-participantes da natureza
divina, e é essa capacitação que nos
habilita a associar à fé a prática do amor
cristão (II Pe.1:3-5, 7)
Toda a Escritura nos insta a considerar o
homem integral, ou seja, corpo, alma e
espírito devem estar aptos para aplicarem
as verdades práticas da fé cristã. Quando
o ensino bíblico fala ao coração,
percebe-se por inferência o valor que ele
tem para a vida cotidiana. A
contextualização da Palavra na vida
prática é tão importante quanto a sua
interpretação correta. Os sentimentos
devem ser moldados e aprimorados segundo a
Palavra, moldando o caráter cristão à
semelhança de Cristo.
O Ensino Bíblico Evidenciará a Benção de
Deus na Comunidade Eclesial
A igreja
como comunidade de comunhão e de
relacionamentos saudáveis evidencia que
todas as pessoas, ainda que envolvidas na
obra do Senhor e conscientes da
necessidade de amar, enfrentarão conflitos
transitivos.
Tais conflitos fazem parte do crescimento
da Igreja e cabe-nos considerá-los como
“normais” e passageiros. Ex. Paulo e
Barnabé na discussão a respeito de João
Marcos (At.15:39, II Tm.4:11). Percebe-se
que Paulo só reconhecera a importância de
João Marcos muito tempo depois de sua
controvérsia com Barnabé, a negligência do
rapaz no início de seu ministério fora
transformada em constância na obra.
Real (2003:91) discorre sobre a crescente
maturidade do cristão, argumentando que
nas relações interpessoais, há momentos de
estremecimentos na amizade e estes são
necessários, e quando bem resolvidos
conduz-nos “a uma aceitação amorosa das
diferenças, das dificuldades e das
contradições dos outros [...] há um
interesse verdadeiro no bem-estar do
outro, e as trivialidades são
menosprezadas”.
O estudo bíblico nos possibilita
identificar o erro dos outros, ou seja,
dos personagens bíblicos para que não
caiamos nas mesmas atitudes prejudiciais
ao corpo de Cristo e a nossa vida em
particular. Tal postura, conduz-nos a
benção de Deus em decorrência da
obediência à sua Palavra.
CONCLUSÃO
Ensinar
é uma arte. Exige preparo e doação.
Considerando que é Cristo quem determina
os Mestres, Ele mesmo os aperfeiçoará. O
exercício de tal ministério não depende de
quem corre, mas de Deus que nos vocaciona
e chama, capacitando-nos para a realização
da obra.
Não existe ministério de ensino sem
relacionamento interpessoal. As
características cognitivas, afetivas e
espirituais devem ser consideradas no
processo de ensino-aprendizagem. Daí a
necessidade do docente cristão, estudar a
Palavra sem reservas e procurar
qualificar-se adequadamente para o
exercício do ministério.
Todo professor cristão deve estar
preparado para enfrentar os conflitos
transitivos de relacionamento na prática
docente, bem como ter consciência da
presença de cristãos difíceis, que
necessitam de um cuidado especial até
chegarem à maturidade cristã.
A prática docente no meio eclesiástico
exige conduta coerente com a orto-práxis
fundamentada nos princípios bíblicos. O
professor deve ser um referencial de vida
cristã para que o seu ensino produza o
efeito desejado na vida dos alunos.
Necessitará também amar menos a sua pele e
amar mais a obra de Deus, sem medo de
utilizar-se da Palavra para “corrigir,
redargüir, ensinar em justiça...” (II Tm.3:16)
e não apenas consolar os irmãos. O
elemento fundamental da prática docente
chama-se amor, este deve ser não apenas
ser bem conceitualizado pelo professor,
mas evidenciado na prática cotidiana.
Afinal, amar é uma “decisão de vontade”, e
não meramente um sentimento.
O relacionamento professor-aluno como
vimos, torna-se referencial de
aprendizagem, na medida em que o aluno
confia no seu professor e sente-se
valorizado como pessoa. O fruto é
desenvolver a auto-confiança na
investigação bíblica e crescer no
interesse de estudá-la mais profundamente.
Neste processo o professor mostra o
caminho a ser seguido, sem todavia
apresentar respostas prontas ao aluno,
mas, pelo contrário, leva-o à prática da
conferência bíblica de conteúdos
ministrados. Como os bereanos fizeram nas
ministrações do Apóstolo Paulo (At.17:11).
Nas palavras de Aristóteles “o importante
é que em todos os nossos atos tenhamos um
fim definido que almejamos conseguir... à
maneira dos arqueiros que apontam para um
alvo bem assinalado”. Além disso, “Não
existe um só método que tenha dado o mesmo
resultado com todos os alunos. O ensino
torna-se mais eficaz quando o professor
conhece a natureza das diferenças entre
seus alunos” (J.McKeachie Wilbert)
Que Deus nos ajude neste mister...
BIBLIOGRAFIA
Bíblia. Português. Bíblia Sagrada. Trad.
João Ferreira de Almeida. 2 ed. Barueri:
SBB, 2006.
BARRO, Jorge Henrique (Org). Uma Igreja
Sem Propósitos. São Paulo: Mundo Cristão,
2004.
ENGEN, Charles Van. Povo Missionário, Povo
de Deus. São Paulo: Vida Nova, 1996.
FRIESEN, Albert. Cuidando do Ser –
Treinamento em Aconselhamento Pastoral 3
ed. Curitiba: Esperança, 2004.
HENRICHSEN, Walter A. Princípios de
Interpretação da Bíblia 4ª ed. São Paulo:
Mundo Cristão, 1989.
LeFEVER, Marlene. Estilos de Aprendizagem.
Rio de Janeiro:CPAD, 1995.
POUJOL, Jacques & Claire. Manual de
Relacionamento de Ajuda. São Paulo:Vida
Nova, 2006.
PRICE, Donald E. (Org) Os Desafios do
Aconselhamento Pastoral – Soluções
Práticas. São Paulo: Vida Nova, 2002.
REAL, Paulo. Relacionamentos na Igreja –
Como manter a unidade na diversidade. São
Paulo: Editora Vida, 2003.
TULER, Marcos. Manual do Professor de
Escola Dominical. 7. ed. Rio de Janeiro:
CPAD, 2.006.
Campina Grande, 27 de agosto de 2007.
* A autora é diretora acadêmica da
Escola de Ministérios El-Shaddai, Campina Grande
–PB. |
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A fórmula da
felicidade
Olavo de Carvalho
Diário do Comércio
A National Science Foundation, que desde 1981
realiza anualmente uma pesquisa para avaliar os
sentimentos de felicidade e infelicidade entre
os vários povos, tirou a média dos resultados e
concluiu que os cinco países mais felizes do
mundo nesse período foram a Dinamarca, Porto
Rico, a Colômbia, a Islândia e a Irlanda do
Norte. Os cinco mais infelizes: Zimbábue,
Armênia, Moldova, Belarus e Ucrânia.
Numa lista de 98 países, os EUA ficaram em 16º
lugar, desempenho bem razoável para uma nação em
guerra, e o Brasil em trigésimo, abaixo da
Nigéria mas muito acima de nações mais ricas
como a Alemanha, a China e França.
Ronald Inglehart, cientista político do
Institute for Social Research da Universidade de
Michigan, que dirigiu a pesquisa, obtém dela uma
conclusão que deveria ser impressa em adesivos e
grudada na testa de todos os burocratas e
socialistas: "Em última análise, o fator
determinante da felicidade é a proporção em que
as pessoas têm livre escolha quanto ao modo de
conduzir suas vidas."
Porto Rico e a Colômbia não são de maneira
alguma nações ricas, mas seus povos são felizes
porque o governo local sabe protegê-los contra a
violência e a desordem sem lhes oferecer aquela
duvidosa proteção contra si mesmos, que é hoje o
pretexto máximo de todos os abusos da autoridade
burocrática.
Outra coisa que a pesquisa evidencia é que a
liberdade econômica é importante, sim, mas não é
a primeira nem a mais essencial das liberdades,
como o imaginam tantos liberais. Todo ser humano
normal está até disposto a aceitar uma quota de
interferência estatal na economia, mesmo a
contragosto, contanto que o governo não
interfira na sua vida privada, não queira
forçá-lo a educar seus filhos desta ou daquela
maneira, não decida o que ele deve comer ou
deixar de comer e sobretudo não o mande para a
cadeia por delito de opinião. Quando os líderes
soi-disant anti-socialistas, na ânsia de
preservar a liberdade econômica, negociam com o
estatismo e lhe cedem terreno na esfera moral e
cultural, estão contribuindo para tornar o
capitalismo um regime de prosperidade infeliz e
fazendo da crítica cultural socialista uma
profecia auto-realizável. Nas últimas décadas,
em nenhum país a liberdade econômica cresceu
tanto quanto na China, mas no índice de
felicidade os chineses ficam na 54ª
classificação. O economicismo é a doença
infantil do liberalismo.
A presença da Colômbia no terceiro lugar é algo
que deveria dar o que pensar aos nossos
governantes, se eles não tivessem visceral
ojeriza a esse doloroso exercício. Pode ser
feliz um país que está em guerra contra
organizações terroristas há décadas? Pode,
porque a própria guerra foi motivo de união
nacional, gerando entre os colombianos aquela
atmosfera de solidariedade e confiança que faz
com que todos se sintam seguros de si no meio do
perigo. Noventa e sete por cento dos colombianos
odeiam as Farc, oitenta e tantos por cento deles
confiam no presidente que os vem conduzindo com
mão firme, de vitória em vitória, no combate
contra aquela quadrilha de criminosos e o
gigantesco aparato diplomático e publicitário
construído para lhe dar apoio. Sob a liderança
de Álvaro Uribe, a Colômbia provou que é capaz
de fazer face a todos os inimigos, internos e
externos, desde os narcotraficantes escondidos
nas matas até as Pelosis e os Kennedys que os
protegem desde os altos círculos do poder. Os
colombianos não têm medo de ninguém. Como
poderiam não estar orgulhosos e felizes?
Se o Brasil se unisse para dar cabo dos
assassinos que matam anualmente 50 mil dos
nossos conterrâneos, o orgulho patriótico faria
subir o nosso balão para os primeiros lugares na
escala da felicidade mundial. O mesmo
aconteceria se cerrássemos fileiras em torno do
general Augusto Heleno, defendendo a nossa
soberania territorial contra o globalismo voraz.
Mas podem tirar o cavalo da chuva. Quanto ao
segundo ponto, o PT já declarou que proteger a
integridade do território nacional é traição.
Quanto ao primeiro, conforme leio na coluna do
Diogo Mainardi, o presidente e "os intelectuais"
que se reuniram com ele para discutir os temas
mais transcendentes da atualidade nacional não
consentiram em descer do seu pedestal para
tratar de assunto tão irrelevante, preferindo
deleitar-se na alegada redução de 22 por cento
no índice de "desigualdade social".
Não notaram que
esse fenômeno, além de ser puro efeito residual
do fim da inflação e não refletir nenhum mérito
do atual governo, constitui argumento cabal
contra a doutrina oficial de que a pobreza é a
causa máxima da criminalidade, falácia que
serviu de pretexto ao governo para enviar o
Exército às favelas – com as conseqüências que
todos conhecem – para tapar goteiras e cavar
esgotos em vez de prender traficantes e
assassinos. Quando as Forças Armadas são
rebaixadas a esse ponto, o orgulho nacional vai
para o ralo junto com elas – e, sem orgulho
nacional, quem pode estar feliz com o país onde
vive?
Mostrando que seu coração e seu cérebro estão
longe dessas preocupações mesquinhas, o sr. Lula
deu dois passos decisivos na sucessão de medidas
calculadas para proteger os brasileiros contra
si mesmos: proibiu a venda de bebidas alcoólicas
nos bares de beira de estrada e anunciou sua
intenção de proibir anúncios de comidas
gordurosas. No que diz respeito ao primeiro
item, um grupo de gaiatos pôs a circular na
internet uma proposta de que o sr. presidente
seja submetido ao teste do bafômetro antes de
assinar decretos, fazer discursos ou receber
governantes estrangeiros.
Sendo o risco
envolvido nessas atividades muito maior que o de
qualquer acidente rodoviário, nada mais tenho a
acrescentar. Quanto ao segundo ponto, a guerra
contra a gordura é o complemento natural do
"combate à fome": nosso governo seria desumano
se, diante de tanta miséria e desnutrição que
campeiam por aí, nada fizesse contra a obesidade
dos famintos.
Não creio que o Brasil, trinta anos atrás, fosse
menos feliz do que a Guatemala ou o México, como
hoje o é segundo a pesquisa. E quem o puxou para
baixo, na escala, não foi a miséria, que desde
então diminui sem parar. O que o tornou infeliz
foi a sucessão de derrotas – contra a corrupção,
contra o morticínio, contra o narcotráfico –
estimuladas desde cima pela presunção louca da
esquerda iluminada que nos domina desde o fim do
regime militar.
Falando em popularidade, não paro de pensar num
detalhe estranho da política nacional. O sr.
presidente da República, segundo o Ibope, tem 72
por cento de aprovação popular – índice só
alcançado por dois dos seus antecessores,
Juscelino Kubitscheck e Emílio Garrastazu Medici.
No tempo de Kubitscheck eu era criança, mas me
lembro bem da era Medici, do sucesso econômico
estrondoso que tirou da miséria e do desespero
multidões de brasileiros anônimos, fazendo com
que os famosos "cinqüenta milhões de famintos"
só pudessem comparecer de volta no discurso
eleitoral de Lula como mentira confessa.
O presidente era
homem discreto e de poucas palavras, um pouco
sombrio, até. Mas, onde quer que fosse, suas
obras o precediam: quando ele surgia na
arquibancada do Maracanã, o estádio inteiro se
erguia para aplaudi-lo e cantar "Eu te amo, meu
Brasil". Bem diferente, original, misteriosa,
enigmática no mais alto grau é a popularidade de
Lula, que se expressa em vaias – a ele e a seus
cumpinchas – onde quer que ele se exiba ante o
povão. A ciência matemática deve ter avançado
muito, nestas plagas, para poder apreender uma
sutileza estatística tão impossível de se
perceber na esfera dos fatos. A popularidade de
Lula deve ser um arquétipo platônico, só
acessível a inteligências privilegiadas. Nós,
que vivemos no baixo mundo das aparências
sensíveis, jamais acreditaremos nela. Oh, como
somos grosseiros!
QUEM
REALMENTE MATOU ISABELLA?
Pr. Marcelo
Gomes dos Santos
1ª Igreja Batista de Esperança
Todos nós brasileiros ficamos terrivelmente
chocados e sem conseguir acreditar na
brutalidade, sofrimento e morte da pequena e
meiga Isabella. Nosso instinto de justiça é
aguçado. “Quem fez isso?”, nós queremos gritar.
“Quem cometeu tal atrocidade?”. Toda essa
terrível situação nos leva a exigir: “Quem é o
responsável?”. Com certeza o culpado deve pagar
por isso!”
Quem está por trás disso? O pai? A madrasta? O
porteiro do prédio? O pedreiro que teve uma
discussão com o pai de Isabella? O homem de
preto que segundo o Alexandre Nardoni disse ter
visto este misterioso ser no quarto de Isabella?
Quem praticou este crime com tamanha eficiência
desumana?
Qual a verdade por trás da morte de Isabella?
Quem é o verdadeiro culpado? Nosso sentimento de
justiça exige um veredicto. Talvez se expusermos
o verdadeiro culpado, começaremos a encontrar
algum sentido nesse horror sem sentido.
Pois muito bem, já cheguei a um veredicto final,
eu sei quem matou a doce Isabella. Quer saber
qual a autoria deste macabro crime? Creio que
esteja totalmente desejoso de saber quem cometeu
este abominável crime. Quem matou Isabella foi a
NATUREZA HUMANA!
A queda do homem criou uma crise perpetua.
Durará até que o pecado seja eliminado e Cristo
reine sobre um mundo redimido e restaurado.
Desde que a mulher viu “que a árvore era boa
para se comer, agradável aos olhos, e árvore
desejável para dar entendimento, tomou-lhe o
fruto e comeu, e deu também ao marido, e ele
comeu”, desde então nos tornamos um contingente
enorme de homens e mulheres moral, espiritual e
fisicamente enfermos.
O planeta é um enorme e mal cheiroso necrotério,
cheio de miséria, cheio de injustiça, cheio de
violência, cheio de sangue, cheio de impureza
sexual, cheio de dor, cheio de contradições. De
quem é a culpa? A culpa é de Deus? A culpa é da
mulher? A culpa é do diabo? A culpa é da igreja?
A culpa é da sociedade? A culpa é da televisão?
A culpa é do governo? De quem é a culpa? A culpa
é do próprio homem, do mau uso de sua vontade e
de seu poder. Todos somos culpados.
Tanto o bem como o mal se detêm diante da
vontade humana e tenta atraí-la ou dobrá-la. No
Éden, por exemplo, tanto Deus como a serpente
respeitaram a vontade da mulher. Deus não pôs
uma cerca eletrificada em torno da árvore da
ciência do bem e do mal, nem a serpente enfiou a
força de garganta abaixo o fruto proibido na
boca da mulher (Gn 3.1-7).
O filósofo romano Sêneca já dizia: “Não há
ninguém capaz de saber até que ponto é mau e
pecador o coração humano!” A socialite carioca
Geogina Guinle, convertida ao evangelho em 1994,
reafirma tudo isso quando declara: “Passei 10
anos de minha vida invocando espíritos externos,
mas esquecendo de exorcizar os meus fantasmas
interiores”.
A natureza humana assume formas cada vez mais
ousadas. É a filha que embriaga o pai para se
deitar com ele (Gn 19.30-38). É a nora que se
veste de prostituta para se deitar com o sogro (Gn
38.12-19). É o irmão que se finge de doente para
estuprar a irmã (2 Sm 13.1-14). É o filho que
arma uma tenda no eirado para se deitar com as
concubinas do pai (2 Sm 16.20-23). É a mulher
que se deita com outra mulher e o homem que se
deita com outro homem (Rm 1.26-27).
É o homem que
se deita com animal e a mulher que se põe
perante animal para se contaminar com ele (Lv
18.23). É a população desvairada de Sodoma que
cerca a casa de Ló na tentativa de abusar
sexualmente da dupla de anjos celestes que ele
hospedava (Gn 19.1-12). É a população bissexual
de Gibeá que força e abusa de uma mulher casada
à noite toda até deixá-la morta (Jz 19.22-30). A
permanente insaciabilidade do homem caído
obriga-o a inventar novas e “muitas maneiras de
fazer mal” (Rm 1.30).
Cito novamente Sêneca quando declara: “Somos
todos perversos. O que um reprova no outro, ele
o achará em seu próprio peito. Vivemos entre
perversos, sendo nós mesmos perversos”.
Só existe uma solução para extinto selvagem:
“Convertei-vos àquele de quem tanto vos
afastastes” (Is 31.6). Converter-se da maldade,
do mau proceder, do mau caminho, de todos os
pecados cometidos, da perversidade cometida, das
trevas para a luz e da potestade de Satanás para
Deus e dos ídolos para o Deus vivo e verdadeiro.
Quem matou Jesus Cristo? Foram os judeus? Foram
os romanos? Foi à multidão? Foi Pilatos? Foi
Herodes? Quem crucificou Jesus? Foram os nossos
PECADOS, foi você, fui eu, fomos nós. Quem matou
a pequena e frágil Isabella? Fomos nós, foi à
natureza humana pecaminosa, distorcida,
pervertida, enferma, criminosa e morta em seus
delitos e pecado.
Folha em
Branco
Pr. Marcelo
“Caindo em si, ele disse: ‘Quantos empregados de
meu pai têm comida de sobra, e eu aqui, morrendo
de fome! Eu me porei a caminho e voltarei para
meu pai...” (Lc 15.17-18)
“A vida é uma folha de papel em branco, onde
cada um de nós tem de escrever suas palavras,
sejam uma ou duas... e depois cessar. Então
escreva algo de grandioso, mesmo que tenha tempo
apenas para uma linha. Que ela seja sublime. Não
é crime errar. O crime é mirar baixo!” (Poeta:
James Russell Lowell).
Certa feita eu meu encontrava ansioso em uma
silenciosa sala de aula tentando responder uma
série de questões de uma determinada prova,
faltavam alguns poucos minutos para o
encerramento, quando levantei o meu braço em
direção ao professor e lhe perguntei:
-Professor, pode me dar uma folha em branco? E
ele me trouxe a folha até a minha carteira e me
perguntou porque queria mais uma folha em
branco. Eu então respondi:
-Eu tentei responder as questões, rabisquei
tudo, fiz uma confusão danada e queria começar
outra vez.
Hoje, lembrando aquele episódio simples, comecei
a pensar que nenhum de nós é uma página em
branco. Todos nós já fizemos nossos rabiscos.
Chamemos de falha, um desacerto, uma derrota, um
descuido, um desastre, um lapso, um engano, um
azar, uma mancada, um equivoco, uma perda, uma
tragédia, uma decepção, tentativas frustradas.
Todos nós algum dia já fizemos da vida que é a
folha em branco que Deus nos deu, uma confusão
medonha.
Temos tão pouco tempo de vida e já cometemos
tantas rasuras. Borramos, riscamos, manchamos
tantas vezes com escolhas, com decisões, com
desejos e motivações erradas a folha em branco
de nossas vidas.
Todos nós já
fizemos algo de errado, já andamos pelo caminho
incerto, já deixamos o importante para traz,
todos nós já desobedecemos a Deus.
Você já
experimentou derrotas em sua vida? Você já
“tropeçou nos cordões de seus próprios sapatos?”
Ou você já teve “os cordões dos seus sapatos
desamarrados por outros”?
Isto é, você já experimentou em sua vida
impedimentos produzidos por outras pessoas, dos
quais você se tornou vítima?
Vivemos em um mundo que não admite derrotas. Em
nossa sociedade não há espaço para os
derrotados. Gostamos dos testemunhos dos bem
sucedidos, já empresários que foram à falência,
não merecem nossa atenção. Não somos solidários
com a esposa solitária cujo casamento acabou. Só
admitimos vitórias.
A Palavra de Deus traz uma mensagem oposta,
defende o “indefensável”, vai contra a corrente,
advoga causas aparentemente perdidas, prega
mensagens fora de moda, inverte a tese por outra
quase esquecida.
Essa Palavra
estende a mão aos derrotados, dá esperança aos
feridos, fala ao coração da esposa deprimida,
incentiva o homem de meia-idade que analisa o
que já passou e o que está para vir.
Portanto, entenda que se você já experimentou as
amarguras das derrotas, se você já “foi ao chão”
e “beijou a lona”, isto não é motivo de se
envergonhar, se abater e de desistir. Você pode
com a ajuda de Deus, dar uma reviravolta em sua
vida.
Pode parecer que sua vida agora mais parece um
borrão, um rascunho de vida, creia que Deus
ainda pode pintar quadro muito bonito que ainda
vai fazer sentido. O futuro de quem já
experimentou grandes derrotas não está selado,
definido por estas derrotas.
Você não é uma mulher fracassada porque o
casamento acabou. Você não é um homem derrotado
porque o casamento acabou. Você não é um pai
fracassado porque tem um filho ou uma filha
rebelde. Um empresário não é um homem fracassado
porque a empresa faliu.
Se você já
experimentou o fracasso no passado, não deixe
que está derrota o paralise e você fique como
“Carolina, na janela, esperando para ver a banda
passar”.
Ajá, tome iniciativa, faça alguma coisa, lute,
arregace as mangas porque Deus se torna parceiro
dos obstinados, daqueles que não baixou a cabeça
diante das derrotas. Vá em frente!
O profeta
Jeremias (Jr 18.4), nos diz que Deus é o
incomparável reparador da vida. Ele toma em suas
mãos uma existência despedaçada e molda com os
fragmentos outra mais bela do que qualquer que
jamais conseguireis fazer, se ela não se tivesse
partido.
Quando a sua
vida estiver borrada, cheia de rabiscos, nem
tudo está perdido. Tenho aprendido a partir da
minha própria vida que Jesus pode fazer dos
fragmentos da uma vida cheia de ilusões um
cidadão para o reino eterno de Deus; Ele pode
ajuntar os pedaços de ideais não realizados e
contemplar uma existência cheia de bálsamos à
humanidade. Ele pode produzir das minhas
aparentes desventuras a eterna felicidade.
Por isso não
importa qual seja a sua idade, condição
financeira, religião. Não importa o que a vida
lhe trouxe. Não importa aquilo que deu errado
até agora. O que realmente importa é saber se
você vai humildemente levantar o “braço” e pedir
a Deus que ele reescreva a sua história.
No inicio desta reflexão eu mencionei que
levantei o meu braço e pedi ao professor uma
nova folha em branco. Então, por que você não
levanta agora o seu “braço” e pede a Deus uma
“folha em branco”. Passe a sua vida a limpo com
Deus. Não se preocupe em tirar 10, ser o melhor.
Preocupe-se apenas em ser alvo da maravilhosa
graça de Deus em sua vida. Pois ele é poderoso
para juntar os cacos da nossa existência e fazer
algo maravilhosamente novo e belo para o louvor
da Sua glória. Ele é Pai amoroso que está na
varanda nas pontas dos pés esperando o filho que
fracassou voltar para então jogar-se ao seu
pescoço e lhe encher de beijos. E avisa que vai
haver festa na fazenda porque o filho estava
perdido e foi achado, estava morto e reviveu.
UMA VEZ
HOMOSSEXUAL, SEMPRE HOMOSSEXUAL?
Pr. Marcelo
Depois de um
dia bem corrido, cansado, lancei o meu corpo
fatigado na cadeira do papai que fica na sala de
minha casa. E ali de frente para a televisão
assistia a um determinado programa em que a
apresentadora entrevistara um homossexual que de
forma bem categórica afirmava: “Muitos
homossexuais crêem sinceramente que foram
destinados geneticamente para serem
homossexuais”.
Será verdade
que o homossexualismo seja inato? Será verdade,
que a orientação sexual simplesmente não pode
ser mudada, como alegam alguns psicólogos? Será
verdade que o homossexualismo é uma condição
imutável?
Troy Perry
também de forma peremptória afirma: “Não existe
cura para o homossexualismo. Quem afirma o
contrário é charlatão, ou está inadequadamente
informado e, por alguma de muitas razões
possíveis, está tentando iludir a si mesmo ou a
seus companheiros.”
Até hoje ainda
não se provou que o homossexualismo seja de
origem genética ou biológica; e mesmo que alguém
um dia prove que ele é inato, isso não o torna
normal ou moralmente desejável.
Considero essa prática sexual anômala como sendo
um desvio, um vício, uma perversão, um
comportamento adquirido. O Dr. McMellen afirma
que “é abundante a evidência de que a orientação
sexual é aprendida e não herdada, e de que não
tem fundamento cientifico a afirmação de alguns
psicólogos de que uma vez homossexual, sempre
homossexual.”
Há cura, sim!
O Dr. Lee Birk, psiquiatra da Universidade de
Harvard, aconselhou quartoze homens que
desejavam sinceramente deixar o homossexualismo.
Dos quartoze, dez abandonaram aquela prática
anormal e contraíram “casamentos estáveis e
aparentemente felizes.”
O
homossexualismo não é normal do ponto de vista
divino, porque quando Deus criou o primeiro
casal, não criou Adão e Pedro, Roberto e João.
Quando Deus criou Adão e Eva, não criou Eva e
Maria. Partindo da criação já não é normal. A
história de Adão e Eva não fala nada de
homossexualismo, só de heterossexualismo. Ela
fornece um quadro bem claro – padrão – do
propósito de Deus para homens e mulheres. Esse é
o único padrão mantido através de toda a Bíblia.
O apóstolo
Paulo afirma claramente que um homossexual pode
mudar, ao declarar: “Nem imorais, nem idolatras,
nem adúlteros, nem homossexuais passivos ou
ativos [...] herdarão o reino de Deus. Assim
foram alguns de vocês; mas vocês foram lavados,
santificados, justificados no nome do Senhor
Jesus Cristo. (1Co 6.9-11).
Em um outro
programa de televisão dois homens se
acariciando, sendo entrevistados por um
jornalista, diziam assim: “Que mal tem, se nos
amamos? Não estamos matando, nem forçando
ninguém. Por que a sociedade tem que interferir
em algo que é próprio nosso? Isto é normal, isto
não está errado. Pode ter sido errado no
passado, para outras gerações, hoje não. Nós
somos livres. Isto é opção nossa e queremos que
a sociedade nos respeite e nos aceite. Ninguém
tem o direito de entrar em nossa vida.”
É verdade, o
ser humano é livre, tem o direito de fazer o que
quiser. Deus lhe deu esse direito (Dt 30.19).
Como cristão, temos que entender que nós não
temos o direito de querer impor um sistema de
vida a ninguém. Nós não temos o direito de olhar
com desprezo para ninguém. Por mais que em nossa
opinião as pessoas estejam completamente
erradas. Nós devemos amar o ser humano. Por mais
pecador que ele seja, por mais errado que ele
esteja, por mais imoral que nos pareça, por mais
depravado e perverso que possa parecer, nós,
como cristãos, temos o dever de amá-los. Isto é
verdade.
Agora, se o
que eles fazem é normal, esse já é um outro
assunto. O ser humano é livre. Como eu sou livre
para comer pela orelha. Mas, não é normal. Eu
posso beber água pelo nariz. Mas, não é normal.
Eu posso querer andar me movimentar de um lugar
para o outro, rastejando. Mas, é normal? Mas eu
não sou livre? Não tenho o direito? Claro que
sim, eu sou livre e você tem de respeitar o que
eu faço. Mas, isso não quer dizer que seja
normal. É antinatural.
Não há
tendência que seja capaz de governar a vida de
ninguém. Não há vício capaz de submeter ninguém.
Hoje, está provado que filhos de alcoólatras
nascem com tendências para o alcoolismo. Isto
não quer dizer que aquela pessoa, tem
necessariamente que ser um alcoólatra. Pode ter
influência, mas não é determinante. Todos nós
lutamos, uns com o orgulho, outros com o
egoísmo, o ciúme, a mentira, a desonestidade, o
cigarro, as drogas, a ira, o alcoolismo, e
outros com o homossexualismo.
Todos têm seus
pontos fracos. Eu conheço pessoas que se
tornaram homossexuais e hoje dizem assim:
“Pastor, eu não posso negar que tinha profundas
inclinações para o homossexualismo, mas conheci
Jesus, aprendi a amar a Jesus, conheci valores
espirituais, aprendi a agarrar-me a Jesus e pela
graça de Deus, consegui me manter vitorioso até
aqui. Não posso negar que as tendências estão
dentro de mim. Que me sinto atraído muitas
vezes, mas, pela graça de Deus, tenho vencido.”
Nós estamos
numa época e País em que falar o que achamos ser
de acordo com a Palavra de Deus já é visto como
uma forma de racismo religioso. A sociedade está
querendo colocar uma tinta dourada em cima da
perversão humana. Esta querendo dizer que não há
nada de errado, que está tudo certo, que é uma
opção como qualquer outra. Toda pessoa tem o
direito de viver como quer e a sociedade tem o
direito de respeitá-lo e amá-lo como você é.
Mas, não é normal! Ninguém pode mudar a
natureza, a criação, nem o propósito de vida.
Aquilo que Deus disse que não é normal, não
passa a ser normal porque a maioria das pessoas
quer ou porque o Congresso quer aprovar. O
homossexualismo sempre será uma aberração, aos
olhos de Deus. O ser humano, porém, sempre será
o objeto do amor maravilhoso de Deus.
VIDA
PRIVADA X VIDA PÚBLICA
Pr. Marcelo
“A moral privada determina a ação pública”
(Chuck Colson).
“Integro é o que você é quando ninguém está
olhando; significa que você é completamente
honesto” (Charles Swindoll).
Nós estamos vivendo um conceito de cristianismo
hoje, que é muito parecido com o conceito do
mundo hoje. Vejam o que mundo fez: o mundo
dividiu a existência de todos nós em duas áreas
– a pública e a privada. Então no mundo moderno,
você duas vidas, uma pública e uma privada. Na
pública, sua dimensão de vida, você tem alguns
limites, porque sua liberdade vai acabar onde
começa a do outro. Isso é o que o mundo ensina.
Mas na dimensão privada, você é livre – “Faça o
que quiser”. Por exemplo: Uma mulher pode ou não
pode abortar? Não, isso ai é uma questão da vida
privada dela. Ela pode fazer o que ela quiser.
Não é na dimensão pública, é na dimensão
privada, ela faz o que ela quiser. Isso é o que
o mundo ensina. O sujeito é homossexual; é o
seguinte: Você não tem nada a ver com minha vida
privada, eu faço o que eu quero.
Na política, o pensamento é o seguinte: o que
importa é o programa que o candidato que por em
prática. Questões pessoais do candidato não são
importantes. O que ele faz em sua vida privada
não deve ser discutido em público.
Quem não lembra de um fato ocorrido com um
Presidente da República de um país, que foi
dançar o carnaval e todo mundo caiu de pedra em
cima dele, porque estava com uma prostituta nua.
Você sabe como o ilustre Presidente se saiu? –
“Ninguém tem nada a ver, que eu Presidente, tire
a minha gravata e vá viver a minha vida privada
do jeito que eu quero”.
Este conceito de liberdade não existe no
cristianismo. Primeiro, não existe vida pública
e vida privada no cristianismo. Nossa vida é uma
integral. Este conceito não é de Deus. Nós somos
inteiros, uma filtra para outra. No cristianismo
é o seguinte: Se você não consegue agir
publicamente com decência, dificilmente você
conseguirá privadamente. E se você não consegue
agir com ética, com dignidade na sua vida
privada, dificilmente você conseguirá na vida
pública. Minha mãe já dizia isso: “costume de
casa vai à praça”. Não pode dividir.
Não podemos ter uma agenda oculta. Não podemos
encobrir o pecado escondido no coração, pois ele
atrasa, provoca embaraço. Encobrir seria não
admitir. No livro de provérbios está escrito:
“Aquele que encobre as suas transgressões nunca
prosperara, mas aquele que confessa e deixa
alcança misericórdia”. Sou muito preocupado com
o privado, com aquilo que ninguém vê, pois é
aquilo que nós somos. Às vezes pensamos que
pecado é somente aquelas coisas externas que
todo mundo vê, e esquecemos do privado,
esquecemos do nosso egoísmo, covardia, engano,
mentiras, orgulho, inveja, juízos e muito mais
que atrasam o nosso crescimento espiritual.
Coisas que nós escondemos que ninguém vê.
“Nada há
encoberto que não venha a ser revelado, e oculto
que não venha a ser conhecido” (Lc.12:1,2).
Parece-nos que
Jesus quis alertar os discípulos para algo bem
interessante, Jesus quis abrir os olhos dos
discípulos para algo que estava escondido, que
ninguém consegue ver com olhos naturais, é como
se estivesse algo debaixo do tapete, uma
motivação, um desejo oculto, um Eu cego, algo
que nós não conseguimos ver. Um Eu secreto, algo
escondido.
Muitas vezes
os escribas e fariseus, perguntavam a Jesus uma
coisa, mas havia uma intenção oculta no coração
deles, que era pega-lo em contradição procuravam
confundi-lo, sempre tinham uma intenção no
coração diferente daquilo que aparentava.
Dificilmente eram sinceros. “Vocês me louvam com
a boca, mas o coração está longe de mim”.
Mandavam os outros fazerem aquilo que nem com um
dedo queriam mover algo que nunca tiveram
vontade de verdade de fazer, ou mesmo coragem de
fazer. Nós nos projetamos nos outros, queremos
ver nos outros, para aliviar a nossa consciência
cauterizada e enganada. “Limpam o exterior do
copo e do prato, mas por dentro estão cheios de
rapina e intemperança”. “Sois semelhantes aos
sepulcros caiados, por foram se mostram-se
belos, mas interiormente estão cheios de ossos
de mortos e de toda imundícia. “Vós
exteriormente parece justos aos homens, mas por
dentro estão cheios de iniqüidade”. Nós somos o
que está no nosso oculto, somos o que está
escondido no nosso coração.
Moisés tinha
uma ira escondida no coração, que qualquer coisa
ele matava, isto o atrasou 40 anos na caminhada,
mas quando ele reconheceu, Deus tratou!
Gideão tinha
uma covardia misturada com medo escondida dentro
do coração. Se escondia atrás de malhar o trigo,
para não se envolver com seus irmãos que sofriam
com os midianitas. Ele confessou, Deus tratou!
Davi, tinha o pecado do adultério no coração,
não podia ver uma barra de saia perto dele.
Casou com Mical, depois mal Abigail ficou viúva
Davi a trouxe para casa, depois mal Bate-Seba
ficou viúva Davi a trouxe para casa. Ele
confessou, Deus tratou!
Abraão tinha uma fraqueza de caráter terrível,
não conseguia conjugar a verdade por inteiro,
sempre estava com meias verdades, não era
inteiro no seu coração. Ele confessou, Deus
tratou!
Jacó enganou, pai, mãe, irmão, tio, até a Deus
ele queria trapacear, um dia confessou: eu sou
Jacó, Deus o chamou de príncipe. Ele confessou,
Deus tratou!
Judas tinha uma linguagem piedosa que camuflava
a sordidez de seu caráter. Muitas vezes por
baixo de um olhar meloso se encontra a mais
abominável traição. Muitas vezes por baixo de um
“verniz de santidade”, quanta mentira se mistura
nas corretas afirmações doutrinarias. Quantos
defendem a “reta doutrina” e ao mesmo tempo
abriga no coração orgulho, indiferença, ódio,
obscurantismo e intolerância.
Saul tinha um pecado escondido no seu coração,
amava ser independente e amava a glória humana,
nunca quis admitir, por isto Deus não pode
tratar.
A questão não é se eu tenho pecado, é o que eu
vou fazer com eles, encobri-los ou admiti-los.
VOCÊ ESTÁ
DEVENDO ALGUMA COISA?
Pr. Weber Firmino Alves
“Eu sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros,
tanto a sábios como a ignorantes. De modo que,
quanto está em mim estou pronto para anunciar o
evangelho também a vós que estais em Roma.” (Rm.
1.14-15)
Graça e paz,
O texto acima citado faz parte da carta do
apóstolo Paulo à Igreja de Roma, a qual não
havia sido fundada por ele. Nos primórdios, esta
Igreja era composta em sua maioria por judeus,
mas com o seu crescimento no desenrolar do tempo
o número de gentios (não-judeus) superou, de
modo que, quando Paulo escreveu, ela era
composta em sua maioria por gentios.
O apóstolo Paulo escreve desejoso de ir ter com
eles e até diz que havia tentado visitá-los com
o propósito de frutificar em Roma também,
entretanto fora impedido de assim fazer. E no
texto que citamos acima ele diz que sua
motivação de visitar os irmãos era pagar uma
divida que tinha em Roma, na verdade, não apenas
em Roma, mas com gregos, bárbaros, sábios e
ignorantes. Existem duas maneiras de se dever
algo a alguém:
1.Quando se compra ou se pega algo emprestado de
alguém;
2.Quando alguém dá algo para você entregar a
outro.
A dívida que Paulo se refere nestes versículos é
a segunda, pois Deus lhe havia entregado o
Evangelho para que anunciasse a gregos,
bárbaros, sábios e ignorantes, enfim a todos
quantos ele tivesse oportunidade. E Paulo, como
mesmo disse, estava disposto a quitar sua
dívida.
Queridos
irmãos, a dívida que Paulo tinha todo cristão
possui, pois quando entregamos nossa vida a
Cristo também recebemos o evangelho de Deus para
entregarmos ou pregarmos a todos os homens. Se
assim não o fizermos, estejamos, pois
conscientes de que o Deus que nos entregou o
Evangelho irá prestar contas de nós.
Na prática, entretanto fazemos como na história
de um fazendeiro que era desejoso de ajudar os
pobres e mendigos, e como não tinha tanta
condição financeira para fazê-lo, procurou seus
colegas e incentivou cada um a dá um litro de
leite por dia. Todos concordaram; e todo dia
cada um colocava seu litro no tonel. No entanto
quando o fazendeiro foi observar viu que só
tinha água no tonel. Então procurou cada um
deles e todos confessaram que haviam sido
mesquinhos ao colocar água porque pensavam que
os outros iriam colocar leite e assim não daria
para ninguém perceber.
Muitos de nós temos feito isso quanto à pregação
do Evangelho; deixamos para o pastor, a
missionária e os outros, pensado que ninguém vai
perceber, mas na verdade, acaba quase ninguém
cumprindo o seu dever de pagar a divida do
evangelho: evangelizar os povos. Portanto mui
amados irmãos, cumpramos nosso dever e
incentivemos nossos irmãos a fazerem o mesmo
porque “QUEM DEVE TEM DE PAGAR!”.
A
IMPORTÂNCIA DE UM PASTOR
Pr. Weber Firmino Alves
O forte
crescimento da Igreja Evangélica brasileira
provocou um fenômeno que tem preocupado muito os
pastores: o surgimento do que chamamos “crentes
sem igreja e sem pastor”. São aqueles que acham
que chegaram a um nível espiritual tal que não
mais precisam de ajuda mútua dos irmãos e da
liderança pastoral; são aqueles que se debruçam
nas programações dos televangelistas e fizeram
de sua TV a sua igreja, sendo pastoreados pela
TV ou pelo rádio - alguns até pela internet,
através dos cultos on-line, sites de edificação
espiritual, etc.
O título pastor nas Escrituras Sagradas é um dos
títulos atribuídos ao líder da igreja, que tem
por função pastorear ou cuidar do rebanho de
Deus. O título aparece em referencia a Deus,
seja na pessoa do Pai ou do próprio Filho, Jesus
Cristo (Salmo 23.1; João 10.11), visto que Ele é
o Supremo-Pastor (1Pedro 5.4), a quem os
pastores (lideres das igrejas) deverão prestar
contas. Aliás, diga-se de passagem, a igreja não
pertence a nenhum pastor-local, mas a Deus, pois
“...Ele comprou com o seu próprio sangue”
(At.21.28c). É por isso que há uma ordem para os
pastores-locais: “Atendei por vós e por todo o
rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos
constituiu bispos, para pastoreardes a igreja de
Deus...” (At. 21.28a,b).
Outrossim:
“pastoreai o rebanho de Deus que há entre vós,
não por constrangimento, mas espontaneamente,
como Deus quer; nem por sórdida ganância, mas de
boa vontade; nem como dominadores dos que vos
foram confiados, antes, tornando-vos modelos do
rebanho” (1Pe. 5.1-3). Nestes versos o apóstolo
Pedro afirma que três características não podem
direcionar o trabalho pastoral: coerção
(obrigatoriedade), ganância, domínio senhoril.
Estes erros devem ser substituídos
respectivamente por três qualidades:
espontaneidade, boa vontade, padrão de vida.
Os instrumentos básicos de um pastor, conforme
descritos no Velho Testamento na referência a
Deus, eram: vara e cajado (Sl. 23.4). Um servia
para combater animais ferozes e outro para
dirigir o rebanho, puxando do caminho errado
para o certo. Algumas vezes o pastor poderia até
quebrar as perninhas da ovelha para
disciplina-la e ensiná-la a não mais se desviar
do caminho certo, longe dos lobos ferozes.
Aprouve a Deus, portanto, estabelecer
pastores-locais que devem tomar conta do Seu
rebanho aqui na terra. Certamente que, se Ele
achou por bem fazer isso, nós não temos
autoridade para decidir se vamos querer ou não
ter uma igreja e um(uns) pastor(es). Por fim,
ouçamos o que diz a Palavra de Deus: “Obedecei
aos vossos guias (pastores) e sede submissos
para com eles; pois velam por vossa alma, como
quem deve prestar contas, para que façam isto
com alegria e não gemendo; porque isto não
aproveita a vós outros” (Hb. 13.17).
ADORANDO A
DEUS EM ESSÊNCIA
Pr. Weber
Firmino Alves
A Igreja Evangélica está experimentando um
fenômeno que denomino de "Explosão da Música com
Arte". Este fenômeno caracteriza-se pelo
surgimento de vários músicos evangélicos,
diversos ministérios de louvor e, até mesmo,
pela conversão de músicos não cristãos que
gravam seus CD's e transitam entre as igrejas a
fim de louvar a Deus e conseguir o sustento
próprio. São centenas de gravadoras evangélicas,
além de muitos músicos que gravam em estúdios
independentes. Há um aspecto muito positivo
nesse fenômeno, pois temos demonstrando que
nosso crescimento quantitativo como igreja
evangélica, também é seguido de um crescimento
nas artes, inclusive na arte da música.
Entretanto, à
medida que crescem as igrejas, a quantidade de
músicos, artistas e gravadoras, crescem também
os perigos, como, por exemplo, o de tornar a
adoração um elemento da indústria do
entretenimento gospel que traz um excelente
retorno financeiro para aqueles que a produzem,
mas que não revela um louvor que sobe como
cheiro agradável ao Senhor Deus. Cresce também o
perigo de confundirmos a adoração com a arte
musical e, repentinamente, nos acharmos tocando
e cantando muito bem, mas distantes da essência
da genuína adoração.
É importante
saber que Deus não se deixa enganar pelo barulho
musical que produzimos, por mais arranjado que
esteja. Foi o Senhor quem disse ao povo de
Israel quando este vivia impiamente e, ainda
assim, promovia reuniões de louvor: "Aborreço,
desprezo as vossas festas e com as vossas
assembléias solenes não tenho nenhum prazer.
[...] Afasta de mim o estrépito dos teus
cânticos, porque não ouvirei as melodias das
tuas liras." (Amós 5.21,23). Para Deus não
importa apenas o "fazer", mas os "motivos" e o
"modo" como se faz.
É muito claro nas Escrituras que Deus tem prazer
na adoração do seu povo e o próprio Jesus disse
que Deus procura adoradores (João 4.23). Esta
procura divina por verdadeiros adoradores sugere
ao menos duas coisas:
1) Deus
considera importante seus verdadeiros
adoradores, pois o ato de procurar subentende a
importância do objeto procurado;
2) São poucos os adoradores do Senhor, pois Deus
procura a estes entre as multidões que se
auto-denominam como adoradores. É certo que
Jesus não queria dizer com isso que Deus não
conhece os seus, mas simplesmente que, em meio
àqueles que iam a Jerusalém (Judeus) ou a
Gerisim (Samaritanos), eram poucos os que
adoravam a Deus em essência.
A mulher samaritana, com quem Cristo conversava
no texto de João 4, preocupava-se,
particularmente, com o lugar da adoração, a
forma, o modo de fazer. Jesus, porém, ensinou a
essência, o significado profundo do que é adorar
a Deus. Ele disse: "Deus é Espírito; e importa
que os seus adoradores o adorem em espírito e em
verdade." (João 4.24). Com isso Jesus queria
dizer que a adoração, do ponto de vista de Deus,
não se restringe a lugares, pois chegou a hora
em que os verdadeiros adoradores adoram a Deus
em Espírito e em Verdade. Isso significa que não
há lugares mais sagrados que outros. Não importa
o lugar, mas a essência do que se faz. O Senhor
da adoração disse que a genuína adoração possui
duas características essenciais:
1) Ela é feita
em Espírito - Deus é Espírito, disse Jesus. Isso
significa que adoração precisa de fé para crer
que mesmo sem ver Deus, ele é o alvo receptivo
da minha adoração. Esta escrito: "[...] sem fé é
impossível agradar a Deus, porquanto é
necessário que aquele que se aproxima de Deus
creia que ele existe [...]" (Hebreus 11.6). O
que Jesus disse retira a importância dos lugares
e torna a adoração algo que não é feito apenas
quando estamos no culto, pois Deus que é
Espírito, está em todo lugar ao mesmo tempo,
enchendo os céus e a terra e contemplando cada
uma de nossas atitudes. Portanto, devemos
adorá-lo em todo tempo e não apenas quando
tocamos ou cantamos. Além disso, a adoração
feita em Espírito também sugere uma dependência
do Espírito Santo na condução do adorador até a
presença de Deus.
2) Ela é feita em Verdade - Isso significa que é
impossível adorar a Deus em essência sem aceitar
Jesus Cristo como Salvador e Senhor pessoal,
pois Ele é a própria verdade: "[...] Eu sou o
caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao
Pai senão por mim" (João 14.6). O autor da carta
aos Hebreus afirma: "Por meio de Jesus, pois,
ofereçamos a Deus sempre, sacrifício de louvor,
que é o fruto de lábios que confessam o seu
nome" (Hebreus 13.15). A essência da genuína
adoração tem de passar por Cristo, sendo
dirigida a Deus por alguém que já confessa o
nome do Senhor. Além disso, a verdade exige o
elemento da sinceridade, pois, como já dissemos,
Deus não se deixa enganar por palavras e acordes
bem elaborados.
Apenas da
forma que o mestre da adoração nos ensinou,
queridos irmãos, podemos adorar a Deus em
essência. Sendo assim, que nossa adoração seja
caracterizada por estes elementos a fim de que
possamos ser encontrados como verdadeiros
adoradores do Senhor.
Que Deus nos abençoe em Cristo.
Pr. Weber
Firmino Alves
Esperança-PB - prweberalves@yahoo.com.br
A
INTOLERÂNCIA DOS TOLERANTES
Por Weber Firmino Alves
Bel. em Teologia, Licenciando em Letras
Pastor da Congregação da IEC El-Shaddai
em Esperança-PB
weber_re@hotmail.com
Há muitas pessoas que lutam em favor do que
denominam de “tolerância”. Jargões como: “cada
qual é livre para avaliar sua própria conduta”,
são lemas do que chamamos “Movimento da
Tolerância”. Este movimento, além de propagar a
liberdade irrestrita do ser em fazer o que quer
que queira, condena a “intolerância” daqueles
que afirmam verdades absolutas, pois, segundo o
movimento, cada qual estabelece seus próprios
limites, desde que não prejudique o outro. No
entanto, o título deste artigo - já utilizado
por outro escritor, mostra um outro lado da
práxis deste movimento que nem sempre é
especificado: a intolerância.
Este movimento rotula de “intolerantes” todos
aqueles que afirmam proibições de natureza
moral. Os evangélicos - e o Evangelho, donde
herdaram o nome, logo são etiquetados de
intolerantes por causa de suas proibições quanto
ao homossexualismo, às relações extra-conjugais,
à bebedice etc. Os tolerantes realizam
simpósios, seminários, caminhadas e até ações
judiciais na tentativa de condenar a
“intolerância” destes que são chamados de
absolutistas. Por outro lado, os que se
auto-intitulam tolerantes, com “toda
ingenuidade”, caem na incoerência de serem
intolerantes perante aqueles que eles apelidam
de “intolerantes”.
Os chamados
Evangélicos são denominados de protestantes
porque possuem uma autoridade sobre suas
crenças, a Bíblia Sagrada, pela qual protestam
contra tudo aquilo que não se coaduna ao seu
ensino. A Bíblia brada como um leão,
reivindicando ser a Palavra infalível de Deus e
mostrando seus efeitos na vida daquele que a
aceita. Em virtude disso, nossa atitude não pode
ser diferente frente às práticas que a Palavra
de Deus diz: “abominação é” (Lv. 18.22).
É incoerência a reivindicação do título de
“cristão” (seguidores de Cristo) sem que haja a
devida subordinação à autoridade de Jesus que
dizia: “Errais, não conhecendo as Escrituras,
nem o poder de Deus” (Mt. 22.29).
Existem aspectos na vida, dos quais a decisão é
algo puramente pessoal, mas há outros, como os
princípios da moralidade que são absolutos em
qualquer lugar na face da terra. O homicídio é
um destes. Mesmo que em alguns casos o pecado
ofusque, ele é errado no Brasil, no Japão, na
África e em qualquer outro lugar onde haja o ser
humano, afinal de contas, Deus não apenas
revelou os Dez Mandamentos ao povo de Israel,
mas também escreveu elementos de sua Lei no
coração dos homens (Rm. 2.14,15). No caso do
homossexualismo, a própria natureza mostra o
quanto que ele é antinatural, de forma que, a
sua aceitação é a assinatura da extinção da raça
humana.
Mesmo assim,
os princípios do Evangelho de Cristo não pregam
o ódio ao homossexual, ao fornicário ou até
mesmo ao homicida. Antes, o ensino de Jesus e
seus apóstolos era o amor indiscriminado a todos
os homens (Mt. 5.44-46; 22.39; Gl. 5.14). Este
amor, porém não pode ser licencioso, a ponto de
omitir a verdade ao seu destinatário; ele
precisa ser verdadeiro, que aborreça o mal e
apegue-se ao bem (Rm. 12.9). Por causa disso, o
cristão deve amar o pecador, mas aborrecer o seu
pecado, fazendo o mesmo que o seu Senhor faz.
A grande
intolerância dos chamados tolerantes é querer
forçar os cristãos a se tornarem tolerantes
àquilo que é pecaminoso e mal, e perante isso os
cristãos não podem se dobrar porque, dessa
forma, abandonariam os princípios do Senhor
Jesus Cristo em nome de uma “tolerância” que, na
verdade, seria melhor denominada de
licenciosidade.
Se possuir
tolerância significa respeitar a decisão do
outro, embora sabendo que esteja errada, os
crentes são convocados a tê-la; mas, se ser
tolerante significa aceitar e aplaudir os erros
e más decisões das pessoas, os cristãos não o
são, porque o próprio Cristo não o foi.
Portanto, nenhum crente deve se envergonhar de
anunciar sua fé na Palavra de Deus, pois
enquanto isso, muitos estão bradando em favor da
aceitação deliberado do pecado.
DOUTRINAS
BÍBLICAS: O ALICERCE DA ÉTICA CRISTÃ
Pr. Weber Firmino Alves
Bel. em Teologia, Licenciando em Letras
Pastor da Congregação da IEC El-Shaddai em
Esperança-PB
prweberalves@yahoo.com.br
weber_re@hotmail.com
Muitas pessoas não crentes louvam os cristãos
pela sua ética, isto é, a sua conduta em meio a
um mudo corrupto e promíscuo. Dizem elas que a
atitude de não fumar, não se embriagar, não
mentir, não se prostituir ou se entregar aos
bacanais de nosso tempo é uma conduta que merece
louvor, pois preza pela valorização do próprio
ser humano, a saúde do indivíduo, e a devida
estima para com a família. Muitas destas pessoas
buscam até experimentar o mesmo estereótipo em
suas vidas e famílias, mas não têm qualquer
afeição pelas doutrinas cristãs. Afirmam elas
que a conduta pura dos crentes deve ser
apreciada, mas sua fé no Deus único que subsiste
em três pessoas distintas, na volta de Jesus, na
ressurreição, no céu etc. não merece nosso
crédito, pois são concepções míticas do passado.
No século XIX
surgiu a chamada Teologia Secular, um sistema
teológico que se propunha analisar Deus e sua
obra de modo bem profano. G. H. Holyoake
(1818-1906) foi o primeiro a usar o termo
“secular” significando a aversão a qualquer
crença espiritual ou sobrenatural com o objetivo
de promover melhorias na condição do homem
através das instituições humanas, da razão, da
ciência, sem fazer alusão ao elemento
transcendental. Dietrich Bonhoeffer (1906-1945)
foi um teólogo alemão que tinha opiniões
semelhantes à da Teologia Secular.
Ao perceber o
avanço do nazismo com todas as suas conquistas,
Bonhoeffer cogitou a possibilidade do
cristianismo não sobreviver num mundo secular e
sem-religião; então, em nome da “boa intenção”,
ele propôs um cristianismo sem-religião,
adaptado a este século. Isso exige que
abandonemos aquilo que cremos como ensino do
Senhor e preservemos apenas os princípios éticos
do cristianismo. Mas será que podemos fazer
isso? Será que Deus aprova tal adaptação? Será
que a ética cristã está desassociada das
doutrinas cristãs, a ponto de abandonarmos uma e
nos apegarmos à outra? Deus afirma que não!
A ética cristã
exige a crença na doutrina cristã. Já no Antigo
Testamento, depois de uma série de proibições,
incluindo o homossexualismo, sexo com animais
(zoofilia) etc., Deus deixa claro ao povo:
“Porém vós guardareis os meus estatutos…” (Lv.
18.26). As proibições só tinham sentido porque
eram estatutos de Deus para seu povo e porque
Ele era o Senhor do povo: “…eu sou o Senhor
vosso Deus” (Lv. 18.30). A ética do crente
fundamenta-se na crença num Deus que existe e
estabelece princípios para o homem. Até a
justiça nos pesos e medidas do povo era ensinada
sob o alicerce de que Deus era o Senhor e que,
portanto o seu povo tinha a ordem de cumprir os
seus mandamentos (Lv. 19.35-37).
O repetitivo
mandamento “Sede Santos” encontra seu
cumprimento, é claro, na execução dos preceitos
que Deus estabeleceu e revelou na sua Palavra.
Em outras palavras, o povo seria santo quando
cumprisse os mandamentos de Deus. A ética desta
santidade, todavia, tem por alicerce o fato de
que aquele que ordenou é Santo, por isso Ele
diz: “porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo”
(Lv. 19.2; 20.7; 1Pe. 1.16).
No Sermão da
Montanha Jesus ensinou seus discípulos a amar,
abençoar e fazer bem a seus próprios inimigos,
isso porque, dessa forma, refletiriam a bondade
de Deus Pai e pareceriam com Ele como filhos
(Mt. 5.43-48), o qual, disse Jesus, “faz que o
seu sol se levante sobre maus e bons, e a chuva
desça sobre justos e injustos” (v. 45). Se você
não crer que o nascimento do sol e a dádiva da
chuva são expressões da bondade de Deus a homens
imerecedores, também não esperarei que você
exerça bondade e misericórdia sobre seu próximo.
Perceba que a atitude dos cristãos está ligada
com a doutrina da ação e do Ser de Deus. Conclui
Jesus: “Sede vós, pois perfeitos, como é
perfeito o vosso Pai que está nos céus” (v.48).
Até mesmo a vingança é repudiada entre os fiéis
porque Deus reivindica que esta é uma
prerrogativa exclusiva d’Ele, e que Ele
recompensa e vinga os homens (Rm. 12.19).
Qualquer outro
ensino ético da Bíblia é fundamentado na certeza
de que são ordens do Senhor e que devem ser
obedecidas, às vezes, fazendo referência à
divindade de Cristo, à sua volta, ao julgamento
final, ao novo nascimento, à Trindade etc. Por
causa disso, não podemos nos secularizar,
rejeitando as doutrinas bíblicas e apenas
incentivar atitudes corretas, esperando mudanças
nos homens. Isso seria, no mínimo, subestimar a
natureza caída do homem.
Podemos até
encontrar, vez ou outra, homens ou mulheres que,
mesmo não crendo nas doutrinas bíblicas,
experimentem uma moral extremamente louvável à
vista dos homens, inclusive, muitas vezes, mais
perceptível que em alguns que afirmam ser
cristãos; tal moralidade, embora não salve
ninguém, é um reflexo da revelação que Deus faz
de si na natureza, na história e na consciência
do homem (Sl. 19.1; Rm. 1.18-20); ainda que ele
não creia no que Deus diz de si, a lei moral de
Deus impregnada na sua consciência diz que ele
não deve fazer determinadas coisas (Rm.
2.14,15). De outro modo, se este moralista que
rejeita Deus cogitar com toda sinceridade o
motivo de sua moralidade, não encontrará uma
absoluta razão de ser apenas na lei dos homens
ou na vida de seus semelhantes. Ao fim de uma
sincera avaliação interior, só restará um real e
justo motivo, para que não façamos determinas
coisas, o Deus Justo que exige justiça, e que
recompensa ou retribui às suas criaturas.
RESPOSTA
AOS POSICIONAMENTOS ATEÍSTAS DE MICHEL ONFRAY
EM ENTREVISTA CONCEDIDA À VEJA
Por Weber Firmino Alves
Bel. em Teologia, Licenciando em Letras
Pastor da Congregação da IEC El-Shaddai
em Esperança-PB
prweberalves@yahoo.com.br
Conta-se que certo cientista, apegado a seus
pressupostos ateísticos aferrou para si o
objetivo de provar empiricamente que a crença em
Deus era uma influência da sociedade sobre o
indivíduo, ou como diz Onfray na sua entrevista,
“não há nada no cérebro além daquilo que é posto
nele” e que “Deus e a religião são invenções
puramente humanas”.
O curioso
cientista resolveu então educar uma criança
recém-nascida em um ambiente totalmente livre da
idéia de divindade, um lugar onde ela seria
ensinada, mas nunca ouviria sequer o nome
“Deus”. Será que existe este lugar? Ele resolveu
então, isolá-la de ambientes nos quais recebesse
influência de outros homens. Aquela seria a
pesquisa prática de sua vida. Os anos se
passaram e a criança cresceu e ainda no ápice da
adolescência nunca ouviu falar de qualquer tipo
de deus. Porém, em dada fase o pesquisador
observou que havia um horário, no qual o jovem
saía assiduamente. Resolvendo segui-lo às
ocultas o cientista o encontrou num alto monte
prostrado, clamando sobre uma pedra aos céus: -
“Oh Grande Criador! Tu que fizeste todas as
coisas, revela-te a mim porque eu desejo te
conhecer!”.
Diferente do
que diz Onfray, a idéia da divindade não é uma
criação do homem, mas pressupõe a existência de
um Deus. A idéia de Deus, tal como a idéia de
tempo, espaço, número, causa e efeito, bem e
mal, é uma verdade primária ou fundamental,
visto que se caracteriza por universalidade,
necessidade e auto-evidência (AGUIAR, 1999, p.
46). O conceito de um criador é presente em todo
o universo, é necessário para compreendermos
alguns fatos fundamentais da vida, e também
brota naturalmente no íntimo do homem,
independendo, muitas vezes, de argumentos
iniciais. Onfray afirma na sua entrevista que “a
necessidade de Deus é cultivada culturalmente”,
mas uma observação acurada da história comprova
que não há um povo, cultura ou etnia, no qual a
idéia da divindade – mediante o politeísmo ou o
monoteísmo, esteja completamente ausente.
Na sua
entrevista concedida à revista Veja, Michel
Onfray nega a existência de Deus em nome do que
ele chama da liberdade do homem. No entanto,
conforme demonstrado acima pelo Rev. Claudionor,
mesmo com a suposta inexistência de Deus, a
liberdade humana “não é assim tão livre”, visto
que a vontade do indivíduo não é neutra, como
parece afirmar “inocentemente” Onfray. Segundo
Onfray, a liberdade humana é restringida de dois
modos:
Pelas restrições preceptivas de Deus, pois os
religiosos “odeiam o corpo, os desejos, a
sexualidade...”. Onfray está fazendo referência
certamente aos preceitos bíblicos que proíbem
práticas como homossexualismo, incastidade etc.
Entretanto, sob este mesmo ponto de vista, a
liberdade humana também seria incompatível com a
idéia de casamento e amor, pois muitas vezes
homens casados – até mesmo ateus, abstêm-se de
determinadas práticas (como o adultério) em nome
do amor que sentem pelo cônjuge. Desta forma, um
impulso que sobrevêm é subjugado pelo amor, e
sua liberdade também é restringida. Se a
liberdade humana é incompatível com a existência
de Deus, também o é com a existência de qualquer
outro ser, pois muitas vezes a liberdade do
homem é restringida pela existência do próximo.
Pela
providência de Deus que, conforme Onfray, é
incompatível com a liberdade humana. A Bíblia
Sagrada, estabelece de fato que há um Deus que
governa o mundo e tudo o que nele há. Entretanto
ela deixa claro que o indivíduo é responsável
por suas próprias ações, e que o ponto de
partida para suas ações não pode ser o plano de
Deus, já que o homem não o conhece. Berkhof
(2001, p.101) diz: “Os decretos divinos não são
dirigidos aos homens como uma regra de ação, e
não podem constituir uma regra assim, visto que
o conteúdo deles só se torna conhecido pela sua
realização, e depois desta”. A nossa experiência
prova que colhemos dadas conseqüências porque
nós mesmos tomamos determinadas atitudes, sem
sentir qualquer coerção.
Como destacou,
em forma de indagação, o Rev. Claudionor, a
abordagem de Onfray é extremamente
preconceituosa. Quando, por exemplo, ele afirma
que os questionamentos à religiosidade feitos
pelo homem levam, invariavelmente, à conclusão
chegada por ele, a saber, que Deus não existe. A
isso ele chama de “razão, com R maiúsculo”, cujo
uso “é a missão […] de todo filósofo que se dê
ao respeito” (p.14). Isso é preconceito puro! O
que se dizer acerca de filósofos reconhecidos
mundialmente que acreditam em Deus?
Aristóteles e
Aquino já haviam afirmado a existência de “Deus”
a partir do argumento da causa impulsora.
René Descartes, filosofo racionalista -
considerado por Jostein Garder (2004, p.253)
como o fundador da filosofia dos novos tempos e
primeiro construtor de um contemporâneo e
coerente sistema filosófico, afirmava a
existência de Deus a partir do que se chama
“argumento teleológico”, isto é, o homem, que
como ser pensante existe, tem a idéia de um ser
perfeito, o qual, para de fato possuir os
atributos da perfeição precisa existir. “…a
noção de um ser perfeito tinha de vir,
naturalmente, de outro ser perfeito […] um ser
perfeito não seria perfeito se não existisse”.
Descartes dizia, portanto, que a idéia de Deus é
inata ao homem, tal “como a marca que o artista
coloca em sua obra” (DESCARTES apud GAARDER,
2004, p. 258).
O filósofo
empirista Berkeley dizia que “só outro espírito
pode ser a causa das idéias que formam nosso
mundo material” e que “tudo vinha do espírito
‘onipresente, por meio do qual tudo existe’” (GAARDER,
2004, p. 304). Ele estava pensando em Deus.
O filósofo protestante Kant, sob outro ponto de
vista, afirmou a existência de Deus. Ele
realmente acreditava que isso era impossível se
provar pela razão, mas apenas pela fé, o que
chamava de “postulado prático”. Kant dizia: “é
moralmente necessário supor a existência de
Deus” (KANT apud GAARDER, p.354).
Com todas as convicções que tenhamos diferentes
em alguns pontos defendidos por estes filósofos
– e nós mesmos temos alguns, é extremamente
prepotente a afirmação de que eles não se deram
respeito como filósofos ou que sua razão, neste
ponto de vista, não possuía “R” maiúsculo,
inclusive porque os próprios Aristótoles, Aquino
e Descartes estabeleceram argumentos racionais
para provar a existência de Deus pela razão
pura.
A prepotência e o preconceito definitivamente
não desaparecem das idéias de Onfray quando
ainda afirma que “a idéia da criação divina é
uma espécie de doença infantil do pensamento
reflexivo”, e que “a crença em Deus só serve,
justamente, para as crianças” (p.15), comparando
inclusive com as lendas de Papai Noel, lendas
folclóricas e contos de carochinha. É fato
indubitável que o que leva alguém (seja ele um
leigo, filósofo ou religioso) a acreditar em
Deus é totalmente diferente daquilo que leva uma
criança a acreditar nestas lendas.
Como se não bastasse tudo isso, as contradições
dos textos bíblicos apresentados pelo “grande”
filósofo mais lido na França só existem na
cabeça do próprio Onfray. O sexto mandamento,
que diz “Não Matarás” (Ex. 20.13), faz parte do
que costumamos chamar de aspecto moral da Lei de
Deus e era dirigido a todos os homens como “os
princípios morais eternos de Deus para suas
criaturas morais”. A lei de Êxodo 21.15, por
outro lado, faz parte do aspecto civil da Lei
que autoriza, não o indivíduo, mas o Estado de
Israel como nação a exercer o direito à pena
capital pela quebra de um mandamento de Deus:
honrar pai e mãe. Hilário mesmo é a
interpretação literalista e bélica que Onfray
faz à seguinte frase de Jesus: “...não vim
trazer paz, mas espada” (Mt. 10.34). É claro no
contexto que Jesus não estava ordenando aos
discípulos que se armassem com espada e se
preparassem para a guerra, mas estava falando
sobre as conseqüentes dificuldades que seus
seguidores enfrentariam dentro de sua própria
casa. Esta interpretação fica esclarecida pelos
próprios versos seguintes (vv.35-39).
Por fim, Onfray subestima demasiadamente a
natureza humana, afirmando que a filosofia
disponibiliza ao homem “a apreensão do que é o
mundo, do que pode ser a moral, a justiça, a
regra do jogo para uma existência feliz entre os
homens, sem que seja preciso recorrer a Deus…”
(p.15). Esta esperança, não é muito diferente
daquela que possui os homens na virada do séc.
XIX para o séc. XX. A chegada do iluminismo
trouxe aos homens a esperança que os problemas
de moralidade, educação, saúde etc. seriam
resolvidos com a razão e a ciência. A humanidade
estava diante de um grande progresso, diziam
eles, pois tinha em mãos a ciência que traria
solução para os mais diversos problemas
experimentados pelo homem ao longo de sua
existência. A interpretação dialética da
história proposta por Hegel e a teoria
darwinista foi logo aplicada à utopia do
progresso e os homens esperavam melhoras. A
proposta de Comte era sair da era teológica,
presente nas sociedades primitivas e avançar
para a era positiva, fundamentada na razão e na
ciência.
Logo esta falsa esperança caiu por terra, diante
das duas grandes guerras mundiais que o homem
promoveu no começo do último século, inclusive,
fazendo uso da própria razão e ciência. O
problema moral do homem não é resolvido pela
ciência ou pela filosofia, mas apenas por Deus,
pois ele é o Criador e o Legislador da
humanidade. A Bíblia não alimenta esta esperança
utópica no homem: “[…] não há justo, nem um
sequer”. Por mais que a filosofia ajude, ela
sozinha nunca resolverá o problema moral do
homem, pois o homem é pecador. A história revela
a quantidade de filósofos extremamente imorais e
que chegaram até mesmo a dar cabo de suas
próprias vidas.
Sinceramente, não se pode entender o que leva
alguém a procurar forças onde não se tem para
provar que algo que não existe “realmente não
existe”. Se Deus realmente não existe, então
porque tanto esforço para provar que Ele não
existe? E se é assim tão simples, porque a turma
ateísta de Onfray, incluindo filósofos do
passado como o alemão Friedrich Nietzsche
(1844-1900), não conseguiu definitivamente
provar e convencer a humanidade que Deus não
existe? Certamente a Escritura tem toda razão em
dizer: “Diz o insensato no seu coração: Não há
Deus” (Sl. 14.1).
BIBLIA DE ESTUDO DE GENEBRA. Trad. João Ferreira
de Almeida. Edição Revista e Atualizada. São
Paulo: Cultura Cristã e SBB, 1999.
BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática. São Paulo:
Cultura Cristã, 2001, 720 p.
GAARDER, Jostein. O Mundo de Sofia: Romance da
história da filosofia. São Paulo: Cia das
Letras, 2004
LANDERS, John. Teologia Contemporânea. São
Paulo: Juerp.
SEVERA, Zacarias de Aguiar. Manual de Teologia
Sistemática. Curitiba: A.D. Santos Editora,
1999, 490 p.
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